Algumas questões têm me intrigado bastante quando vejo que 9 de cada 10 posts ou tweets sobre inovação ou estratégia de comunicação tratam do “fenômeno” das mídias sociais.
Todos os “experts” em comunicação bradam aos ventos que estamos vivendo um momento ímpar na comunicação e que praticamente todas as práticas “tradicionais” já estão defasadas e morrerão no próximo raiar do sol.
Bom, não sou um crítico das novas tecnologias (tenho perfis e um blog) e reconheço a mudança no mercado de comunicação. Entretanto, costumo jogar baldes de água fria quando estou em bate papos que caminham em uma única direção, colocando em um altar as mídias sociais, sem levar em consideração os espinhos deste novo momento.
Sei que praticamente todos os meus amigos possuem um perfil no Facebook, no Orkut e no Twitter (até meu pai me deu uma bronca pelo Facebook outro dia), porém meu questionamento vai pela diagonal e trata do conteúdo que estamos compartilhando, lendo e replicando. Existe realmente a tal liberdade de expressão tão esperada e criada pela Internet? Esta obesidade de informação está deixando espaço para nos tornarmos mais críticos e evoluir em pontos que realmente farão diferença no mundo?
Está havendo a democratização de opiniões de fato ou estamos falando com pessoas que pensam da mesma forma que nós, sem dar espaço para o debate produtivo e construtivo?
Quando vejo que a maioria dos conteúdos replicados se restringe a comentários sobre o último paredão do BBB ou um “viral sensacional” com uma travesti sendo discriminada, começo a ter dúvidas sobre o “milagre” das redes sociais e sua capacidade de dar voz além dos “tradicionais” meios de comunicação.
Outro fato que me intriga é a proibição de acesso às redes sociais dentro das corporações. Em um artigo recente publicado pela The Economist e analisado por Cristina Mello no Nós da Comunicação , percebe-se que ainda não utilizamos as mídias sociais em prol de nossas atividades. As empresas ainda não permitem o acesso e não estão confortáveis em liberar seus funcionários para twittar, blogar ou acompanhar o Facebook enquanto exercem suas atividades profissionais.
As razões sobre a proibição tratam da segurança da informação e também da produtividade. Um dilema que tem sido colocado embaixo do tapete pelos gestores, mas precisa urgentemente de definições. Sugestões sobre como lidar com esta questão no mundo corporativo têm surgido, como a criacão de políticas de uso de redes sociais dentro das corporações, mas sinto que o passo está lento demais para acompanhar a invasão dos smartphones e a necessidade que todos temos de estar conectados 24 horas por dia.
O fato é que, na minha percepção, o assunto vai além de apenas liberar o uso no horário de expediente. A utilização das mídias sociais com livre expressão dentro das empresas passa por outros campos, muita vezes minados, que poderão mostrar que o selo de “Melhor Empresa para se Trabalhar” pode ter sido a opinião de alguns, revelando lacunas nas políticas de gestão de pessoas. Talvez, antes de abrir a caixa de Pandora nas redes sociais, precisamos rever o discurso e a prática na gestão de pessoas. E, antes de tudo, entender como estas redes podem agregar e não segregar.

Everton Schultz, 32, é relações públicas. Atua no mercado de comunicação corporativa há mais de 10 anos, tendo se especializado em estratégias de comunicação interna e comunicação digital. Já trabalhou em grandes empresas e agências. Atualmente é consultor para assuntos relacionados a comunicação interna, comunicação digital e sustentabilidade.
*O conteúdo deste artigo não necessariamente reflete as opiniões do 30 Segundos.
Os conhecidos cartoons da Red Bull vão ganhar um tempero brasileiro. Realizado em diferentes países, o concurso Red Bull O Melhor Comercial chega ao Brasil pela primeira vez, e vai selecionar a melhor ideia enviada pelo público daqui para fazer parte da campanha mundial da marca.
A iniciativa tem mecânica via web, onde os interessados poderão se inscrever e registrar a sua proposta. Uma pré-seleção das sugestões inscritas será feita aqui no Brasil por especialistas no assunto.
As ideias que passarem por este primeiro crivo serão levadas ao fundador da Red Bull, Dietrich Mateschitz, que escolherá a melhor para virar um dos cartoons veiculados no mundo todo. O autor da ideia escolhida terá ainda a oportunidade de acompanhar todo o processo de produção da peça, que tem previsão de veiculação no Brasil em 2011. Os interessados poderão participar quantas vezes quiserem.
A primeira edição do Red Bull O Melhor Comercial foi realizada em 1990 na Áustria, país-sede da Red Bull. Recentemente, o concurso teve edições no Reino Unido, Polônia, Israel e Suécia. Além do Brasil, México e Rússia serão os próximos países a receber o concurso em 2010.
No site oficial da campanha já existem sugestões bem interessantes e nem os recentes alagamentos de São Paulo escaparam da criatividade dos participantes. No Twitter e no Facebook são divulgadas algumas peças e você pode até ter algumas doses de inspiração.
O período de inscrição da edição brasileira do Red Bull O Melhor Comercial vai de 01/02/2010 até 26/03/2009. A ação para mídias sociais é da Remix Social Ideas.
O fenômeno das mídias sociais há algum tempo caiu nas graças do público. Especialistas, ou não, em internet divagam sobre como essa “nova” mídia pode alavancar ou derrubar um negócio. Mas a verdade é que todo mundo está errado. Estão todos presos num grande equívoco chamado Lugar Comum.
Nos dias atuais onde, graças ao Mr. Google, a informação é um bem público, livre e democrático – todo internauta se diz analista de mídias sociais ou especialista em métricas. Em tese, todos sabem o beabá das ações nesse tipo de rede. Contudo é preciso sair do quadrado. Fazer diferente.
É preciso lembrar que mídia social é algo muito anterior ao avanço da internet. Mídia social sempre existiu, sem nome ou URL ela sempre esteve aí – off-line. Um restaurante que indicado por um amigo, um carro que você comprou pelo parecer do colega do futebol. Tudo isso sempre foi entendido como mídia social.
Os avanços tecnológicos deram um upgrade na coisa. Todas as ferramentas da chamada web 2.0 propiciaram mais do que o mundo off-line estava acostumado, propiciaram possibilidade de interação. E é aí que está o ponto central da discussão. É você que deve estar preparado para interagir. Leia-se interagir como opinar, prestar assistência e estar preparado para admitir que talvez o seu produto ou serviço não seja tão bom quanto você pensa que é. As métricas sociais lhe darão parâmetros para mudar e reinventar seu produto ou serviço. Já disseram por aí que o melhor anúncio é um bom produto – e é verdade. Através de ações consistentes e a mentalidade aberta você poderá identificar o problema e fazer algo sobre.
Interação é opinião, a única certeza
Quando uma marca, produto ou evento abre as portas para a discussão na web, não se pode ter certeza de quase nada. As tendências de consumo dependem de fatores diversos, como o contexto, qualidade e até mesmo o acaso. A única constante no processo com mídias sociais é de que cada interação irá gerar uma opinião. Inclusive a falta de interação.
Recentemente alguns senadores brasileiros começaram a cogitar a possibilidade de realização de audiências públicas via Twitter. Tudo isso de olho, claro, nas facilidades e diversidades de coletar opiniões. Essa ponderação é uma prova de que as redes de relacionamento existentes hoje são, na verdade, um mar de opiniões, mas que só servem para alguma coisa se alguém (você!) estiver disposto a dar ouvidos a ela.
A percepção desse potencial tem levado algumas empresas a destinar boas fatias de suas verbas na implantação de redes sociais internas. O entendimento de que cada funcionário detém um potencial capital social e que não há nada melhor para a produtividade do que estar bem próximo desse indivíduo.
As mídias sociais não são tudo isso que dizem, diz o título deste artigo. E não são mesmo. “Isso“ que as empresas tanto buscam nas mídias sociais, como uma receita de bolo, não existe. “Isso” só depende de você mesmo. Mídia social não é a chave, mas sim a fechadura.
É líder web da Wik Solutions (MG). Já trabalhou em campanhas publicitárias off-line, produção cultural e campanhas em mídias sociais.
*O conteúdo deste artigo não necessariamente reflete as opiniões do 30 Segundos.

1. Na verdade, você não quer interagir com leitores, clientes, o que quer que seja. Você quer é ser ouvido. E só.
2. Você não está pronto para as mudanças. Não consegue criar novos papéis, atualizar processos, redistribuir recursos e revisar velhas políticas.
3. Pensa que as mídias sociais ameaçam a maneira como você sempre ganhou seu dinheiro. Mas não liga de gastar muito mais para buscar alternativas.
4. Política.
5. Você as enxerga como uma oportunidade de melhoria na sua carreira, mas não como uma oportunidade de transformar o negócio para melhor.
Mude ao menos 3 desses cinco itens e é possível que suas chances de sucesso neste campo sejam bem maiores. Em um mundo cada vez mais impulsionado pelo coletivo, a mudança de atitude para algo mais comunitário pode representar uma grande vitória pessoal e profissional.
Você, que está tão acostumado a ficar o tempo inteiro na Internet, que quando está na rua não ouve outra coisa além do seu tocador de mp3 e já não sabe nem como funciona um rádio, muito provavelmente vai perder a ação promocional da Vivo homenageando a cidade de São Paulo.
Mas se você ainda é daqueles que goste de ouvir rádio, gosta de ver e fica impressionado com a inventividade do mundo publicitário, vai gostar dessa: Sabia que hoje, dia 25 de janeiro, é o aniversário da maior cidade do país?
A Vivo sabe e quer marcar a data. Para comemorar, contratou a Y&R e vai conectar 23 rádios para tocar o “Parabéns pra você” no ritmo predominante de cada estação. Vai ter pagode, sertanejo, jazz, MPB, rock e até formato jornalístico.
Então hoje, ao meio dia, ouça os diversos parabéns em várias rádios e se a chuva deixar, festeje os 456 anos de São Paulo.
Qual estilo você prefere?